Do sonho à festa – Flipiri 15 anos
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Para celebrar os 15 anos da Festa Literária de Pirenópolis (Flipiri), o Instituto Cultural Casa de Autores, idealizador e organizador do evento, convidou 40 autores para revisitar, em prosa e verso, suas memórias e emoções. Os textos saúdam também os 300 anos da histórica cidade goiana, que se completam em 2027. Piri, como é carinhosamente chamada, abriga e inspira escritores, músicos e artistas de todas as expressões que se encontram há 15 anos na Flipiri.
GTIN: 978-65-88256-79-4
NMC: 4901.99.00
Edição: 1ª Edição
Data de publicação: 11/07/2026
Tipo de produto: Livro brochura (paperback), Com orelhas
Conteúdo do produto: Texto, Imagens
Número de páginas: 176
Descrição do Público-alvo: Jovens e Adultos
Segmentação: Geral
A Casa de Autores nasceu da necessidade de um grupo de escritores de Brasília que entenderam ser preciso se unir pra andar pra frente. Dizem que o oficio da escrita é solitário. Mas aos poucos a gente compreende que a solidão para por aí. Depois que seu texto está pronto, nada mais acontece se você não tiver um coletivo com quem crescer. Revisores, editores, ilustradores, livreiros, divulgadores, resenhistas e por último, mas em primeiro lugar: leitores.
Nascemos, assim, da urgência de ampliar nossa ação na literatura rumo ao que ela mais carece, e com um lema-sonho-missão: fazer do Brasil um país de leitores. Como iniciantes ou, no mínimo, pouco conhecidos, era preciso nos dar a conhecer. Se ninguém nos publica nem nos chama porque não nos conhece, chegava a hora de a gente se publicar, se ler, se divulgar e criar condições para alcançar o alvo de todo esse movimento: o leitor.
Daí a compreensão da importância das festas literárias. Iris Borges já tinha tido a ideia – não sozinha, claro – de criar (e abrigar em sua distribuidora de livros, a Arco-iris) a Casa de Autores. Pois foi dela o estalo, em plena Festa Literária de Paraty, a charmosa e absoluta Flip, de inventar, também numa cidade histórica cheia de charme, Pirenópolis, no coração de Goiás, a nossa versão, mais próxima e acessível, desse achado. E nasceu a Flipiri.
A Flipiri chega com um diferencial em relação às suas coirmãs: a itinerância. Por esse processo, os livros chegam primeiro que os autores e que a festa propriamente dita. Os livros são adquiridos pelo poder público e distribuídos nas escolas, onde professores e alunos têm tempo para ler, curtir, trabalhar, brincar e reinventar sobre a nossa obra. Quando a gente chega lá uns meses depois, eles já nos conhecem. Encenam nossas histórias, nos recontam nossa vida, nos enchem de perguntas, nos capturam autógrafos, selfies, nos dão um banho de emoção.
A festa, mesmo, culmina o processo, com programação de debates, rodas de conversa, oficinas, shows, sessões de autógrafos, atrações locais, nacionais e internacionais, literatura, teatro, música, artes plásticas, brincadeiras, cultura popular. Na rua, no teatro, no cinema, no salão paroquial, onde houver “duas tábuas e uma paixão”.
Mas o pulo do gato a gente só vê com a constância, o passar do tempo, a resiliência de não deixar a peteca cair, faça chuva ou faça sol, seja ano normal ou eleitoral, haja mais ou menos recursos, com ou sem patrocínio, com pandemia e versão híbrida, lives, máscaras, distanciamento, mas sempre com Flipiri. Nunca a ausência ou a desistência. E esse pulo do gato é a transformação vivida por todos.
A cidade se transforma, por abrigar um evento cultural que já virou tradição em seu calendário e atrai turistas e artistas encantados. Os moradores, alunos, professores, famílias veem a cada ano o crescimento de pessoas que passam a ler e alterar sua visão de mundo desde que a leitura se incorporou à sua rotina. É incrível constatar como, com o tempo, evoluíram as relações entre alunos e autores: a qualidade das perguntas, a apreensão dos conteúdos. Os leitores de quinze anos depois são radicalmente mais profundos e maduros do que aqueles primeiros, que antes só se interessavam pela vida pessoal dos artistas e hoje debatem temas, gêneros, estilos, movimentos. Muitos daqueles alunos são os professores de hoje.
Mas mudamos também nós. Quantos de nós nos transformamos profundamente desde que entramos para a Flipiri e ela dentro de nós! Quando decidimos fazer uma antologia desses quinze anos de história viva, relacionando literatura, cidade, comunidade, imaginávamos, mas só temos certeza ao ler os textos deste livro, como cada um aprendeu, cresceu, fortaleceu vínculos, trocou afetos e vivências, numa simbiose entre todos os envolvidos. Porque sabemos que nada disso se faz com uns só dando e outros só recebendo. Aqui é relação ganha-ganha. Todos dão, todos recebem, todos ensinam, todos aprendem, todos se aprimoram.
E quando digo todos, acrescento aqui personagens sem os quais nada aconteceria: a comunidade escolar, das diretoras às merendeiras; o servidor público, do prefeito e secretários aos motoristas que nos conduzem em segurança aos rincões das escolas rurais. Os comerciantes da cidade, que nos abraçam em seus restaurantes, pousadas, pequenos comércios, e os livreiros, sinônimos de resistência.
Este livro traz um pouco dessa história, dessa realização que cada um experimentou e jamais esquecerá. Registrar, em prosa e verso, Pirenópolis e sua gente, a Flipiri e seus ideais, é nossa forma de perenizar essa trajetória de conquistas naquele lema lá de cima, naquele sonho-missão-obsessão: fazer do Brasil um país de leitores. Esta é a nossa contribuição.
Clara Arreguy, jornalista, escritora e editora
Organizador(a) ,
Clara Arreguy
Profissão: Jornalista e escritora
Clara Arreguy nasceu em Belo Horizonte (MG) e vive em Brasília desde 2004. Foi repórter, crítica, editora e subeditora nos jornais Estado de Minas e Correio Braziliense e cronista na revista Veja Brasília. Autora de mais de 30 livros, entre infantis, juvenis e adultos, romances, contos e crônicas, criou a Outubro Edições, pela qual publica livros de sua autoria e de outros autores.
Organizador(a) ,
Iris Borges
Autora de 50 livros infantojuvenis, presidente do Instituto Cultural Casa de Autores. Fundadora da Arco-Iris Distribuidora de Livros há 50 anos. Idealizadora e coordenadora da Festa Literária de Pirenópolis (Flipiri). Professora, psicóloga, livreira, contadora de histórias, escritora e curadora de festas literárias, dedica a vida a contribuir para fazer do Brasil um país de leitores.
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